O segredo da evolução esportiva está antes do treino, afirma especialista
Treinar forte é essencial, mas treinar com segurança é indispensável para a evolução esportiva. Segundo a Dra. Carla Stramare de Holleben Melo, médica especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, o acompanhamento médico especializado, realizado antes mesmo do início dos treinos, é um fator determinante para a performance e a longevidade de qualquer atleta.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Muitos atletas acreditam que a presença de um treinador é suficiente para garantir o desenvolvimento. Contudo, a especialista ressalta que as funções são complementares. Enquanto o treinador foca no plano de exercícios, o médico do esporte é o responsável por avaliar e preparar o corpo para suportar esse treino com segurança e potencializar a evolução, prevenindo lesões.
Avaliação médica: mais que burocracia, uma questão de vida ou morte
A avaliação médica pré-participação esportiva, conforme explica a Dra. Carla Stramare, vai muito além de uma mera formalidade. Trata-se de um exame crucial que literalmente salva vidas. Durante essa análise, são investigados coração, pulmões, metabolismo, articulações e equilíbrio muscular, com o objetivo de identificar riscos, deficiências e limites individuais.
Através desses exames, muitos atletas descobrem condições como arritmias, cardiopatias silenciosas ou alterações pulmonares que, sem o devido diagnóstico, poderiam se agravar durante a prática esportiva, culminando em problemas graves. Portanto, esse é o primeiro passo para quem deseja treinar com responsabilidade.
Ergoespirometria e a precisão nos limiares de treino
Um dos exames mais completos na área é a ergoespirometria. Este procedimento permite avaliar detalhadamente o funcionamento dos pulmões sob esforço, a resposta cardíaca e a utilização de oxigênio pelo corpo. Mais importante ainda, ele define com precisão os limiares ideais de treino, estabelecendo zonas personalizadas baseadas em dados reais, e não em estimativas genéricas.
Para atletas de resistência, como corredores e triatletas, essa ferramenta é estratégica. A médica alerta que o uso isolado da frequência cardíaca como parâmetro pode ser equivocado, pois dois atletas da mesma idade podem apresentar limiares completamente diferentes. Sem uma avaliação adequada, corre-se o risco de estagnar por treinar abaixo do necessário ou de sofrer lesões por treinar acima do limite.
Prevenção de lesões: um investimento na carreira esportiva
Quando se trata de lesões, a Dra. Carla Stramare esclarece que o problema raramente se limita à planilha de treino. Desequilíbrios musculares, déficit de força, recuperação inadequada, deficiências nutricionais e sobrecarga mal controlada são frequentemente as causas principais. A medicina do esporte atua na identificação desses fatores antes que o problema se instale.
“Prevenção é muito mais eficiente do que reabilitação”, afirma a especialista. Para corredores, o fortalecimento muscular, por meio da musculação, é decisivo para a performance, pois melhora a economia de corrida, aumenta a potência, protege as articulações e reduz o risco de lesões. Atletas de elite, inclusive, treinam força durante todo o ano, evidenciando sua importância.
O papel da medicina do esporte em diferentes modalidades
Em esportes coletivos, como futebol e vôlei, o número de lesões de joelho e tornozelo é notável, frequentemente associado ao impacto, mudanças rápidas de direção e saltos. Fraqueza de glúteos e core, assimetrias musculares e fadiga acumulada são fatores de risco importantes. A avaliação médica e a análise funcional são essenciais para reduzir significativamente a probabilidade dessas lesões, que raramente são fruto do acaso, sendo geralmente previsíveis.
Para triatletas, o acompanhamento é ainda mais específico devido à exigência de resistência, potência e alto volume de impacto repetitivo. O overtraining, anemia, deficiências hormonais e lesões por excesso são comuns. A medicina do esporte auxilia na organização da carga, recuperação e saúde metabólica para sustentar o alto rendimento sem comprometer o organismo.
Frequência das consultas e o erro do atleta amador
A recomendação geral para avaliações completas é anual, com reavaliações a cada três a seis meses para atletas de alta intensidade. Qualquer lesão ou queda de performance deve motivar uma nova consulta. O atleta não deve buscar o médico apenas quando sente dor, mas sim para manter o corpo funcionando em seu melhor nível.
Um dos maiores erros cometidos por atletas amadores é tentar replicar os treinos de profissionais sem possuir a mesma estrutura de suporte. Carga elevada, pouca recuperação, ausência de exames e falta de prevenção levam o corpo ao limite. O atleta inteligente, segundo a Dra. Carla Stramare, treina forte, mas com estratégia médica por trás.
Medicina do esporte: para todos que buscam performance e saúde
É fundamental destacar que o acompanhamento especializado não é restrito a atletas de elite. Pessoas que desejam iniciar atividades físicas com segurança, praticantes amadores com dores persistentes, indivíduos em busca de emagrecimento ou ganho de massa muscular, e atletas profissionais em preparação ou competição podem se beneficiar imensamente do suporte da medicina do esporte.
“Medicina do esporte não é para quem está doente. É para quem quer treinar melhor, evoluir mais rápido, se lesionar menos e ter longevidade no esporte”, observa a Dra. Carla Stramare.
Investir no acompanhamento médico antes, durante e após os treinos é, portanto, um passo essencial para quem almeja não apenas alcançar o máximo de sua performance, mas também garantir a saúde e a longevidade no esporte.
